LIVE – PACTO PELA VIDA E PELO BRASIL

No dia 07/04/2020, Dia Mundial da Saúde, a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos, juntamente com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão Arns, a Academia Brasileira de Ciências, a Associação Brasileira de Imprensa e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência assinaram o Pacto pela Vida e pelo Brasil.

O documento reconhece que o Brasil vive uma grave crise – sanitária, econômica, social e política – e que exige de todos, especialmente de governantes e representantes do povo, o exercício de uma cidadania guiada pelos princípios da solidariedade e da dignidade humana, assentada no dialogo maduro, corresponsável, na busca de soluções conjuntas para o bem comum, particularmente dos mais pobres e vulneráveis.

“O momento que estamos enfrentando clama pela união de toda a sociedade brasileira, para a qual nos dirigimos aqui. O desafio é imenso: a humanidade está sendo colocada à prova. A vida humana está em risco”, diz um trecho.

A pandemia do novo coronavirus que se espalha pelo Brasil exigindo a disciplina do isolamento social é mencionada no texto. As entidades assinantes reiteram, portanto, que se deve, pois, repudiar discursos que desacreditem a eficácia dessa estratégia, colocando em risco a saúde e sobrevivência do povo brasileiro.

Em contrapartida, no texto, as entidades afirmam que se deve apoiar e seguir as orientações dos organismos nacionais de saúde, como o Ministério da Saúde, e dos internacionais, a começar pela Organização Mundial de Saúde – OMS.

“É hora de entrar em cena no Brasil o coro dos lúcidos, fazendo valer a opção por escolhas científicas, políticas e modelos sociais que coloquem o mundo e a nossa sociedade em um tempo, de fato, novo”.

Ainda no documento, as entidades afirmam que a sociedade civil espera, e tem o direito de exigir, que o Governo Federal seja promotor desse dialogo, presidindo o processo de grandes e urgentes mudanças em harmonia com os poderes da República, ultrapassando a insensatez das provocações e dos personalismos, para se ater aos princípios e aos valores sacramentados na Constituição de 1988.

As entidades lembram, ainda, que a árdua tarefa de combate à pandemia é dever de todos, com a participação de todos – no caso do Governo Federal, em articulada cooperação com os governos dos Estados e Municípios e em conexão estreita com as instituições.

“A hora é grave e clama por liderança ética arrojada, humanística, que ecoe um pacto firmado por toda a sociedade, como compromisso e bússola para a superação da crise atual”.

No texto também é ressaltado a importância do Sistema Único de Saúde – SUS.

“É necessário e inadiável um aumento significativo do orçamento para o setor: o SUS é o instrumento que temos para garantir acesso universal a ações e serviços para recuperação, proteção e promoção da saúde”.

No documento, as entidades reconhecem que a saúde das pessoas e a capacidade produtiva do país são fundamentais para o bem-estar de todos. Mas propugnam, uma vez mais, a primazia do trabalho sobre o capital, do humano sobre o financeiro, da solidariedade sobre a competição.

“É urgente a formação deste Pacto pela Vida e pelo Brasil. Que ele seja abraçado por toda a sociedade brasileira em sua diversidade, sua criatividade e sua potência vital. E que ele fortaleça a nossa democracia, mantendo-nos irredutivelmente unidos. Não deixaremos que nos roubem a esperança de um futuro melhor”.

Neste gravíssimo momento atual brasileiro, afetado por complexas crises sanitária, econômica e política, são mais de cem mil mortos pelo COVID-19. A Igreja, sacramento de salvação, é instada a intensificar sua presença cumprindo sua missão evangelizadora, pela força do testemunho e da profecia. Há muita gente precisando ser alcançada por nossa rede solidária e consoladora.

  1. Intensificar nossa presença solidária e samaritana em ações emergenciais, para amparar os mais pobres e as populações vulneráveis.
  2. Posicionar-se, à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja, ante a gravidade do momento nacional, que nos pede maior incidência junto à sociedade brasileira, considerados os descompassos que fragilizam a democracia.
  3. Dialogar, discutir e indicar, nestes próximos dias, em vista da urgência do momento atual, o que nos cabe como tarefa para efetivar o Pacto pela Vida e pelo Brasil. Partindo do que já vem sendo realizado, definir o que mais urgentemente devemos promover em nível nacional, regional e local.
  4. A participação de todos é indispensável. Esta tarefa precisa ser cumprida, com urgência, em diálogo, espírito de comunhão e cooperação, no desejo de colaborar para que a sociedade brasileira possa construir um novo tempo.

 

ASSUMINDO E CONCRETIZANDO

O PACTO PELA VIDA E PELO BRASIL

 

  1. O QUE – O Pacto pela Vida e pelo Brasil (PVB) é um documento de dez parágrafos, construído em conjunto por seis entidades nacionais e assinado em 7 de abril de 2020. Essa data foi escolhida por ser o Dia Mundial da Saúde e o Brasil estar sob os efeitos diretos e indiretos da pandemia do coronavirus.
  2. QUEM – São convocadas todas as forças evangelizadoras presentes no Brasil. Essa é a hora de, unidos, respondermos concretamente ao que pactuamos.
  3. COMO – Ler e refletir sobre o PVB, responder às perguntas abaixo e as enviar para pacto@cnbb.org.br.
  4. ATÉ QUANDO – Este momento de escuta e partilha permanecerá aberto. Sempre que necessário, novas indicações serão apresentadas.
  5. POR QUÊ – Somam-se aqui alguns motivos que não podemos desprezar:

▪ A urgência de discernirmos caminhos para o enfrentamento do quadro pandêmico vivido no Brasil atualmente.

▪ A necessidade de o fazermos num processo de ampla escuta e partilha, expressão da comunhão que deve ser testemunhada na vida eclesial.

▪ O diálogo da Igreja com a sociedade civil e, internamente, entre as diversas instâncias eclesiais.

  1. ONDE – Informações e esclarecimentos podem ser encontrados em cnbb.org.br

QUESTIONÁRIO:

1) Você se reconhece nas afirmações e nos desafios apresentados pelo PVB? Por quê? Que aspectos você destaca como os mais relevantes?

2) Que aspectos do PVB não ficaram claros para você? Que dúvidas você tem para compreender a mensagem ali apresentada?

3) Que sugestões você apresenta para que se concretize a “união de toda a sociedade brasileira” neste momento tão desafiador? Que passos podemos dar para que, numa sociedade plural, seja possível estabelecer pontos de união em vista do bem do povo brasileiro?

4) O diálogo com instancias da sociedade, em busca do bem comum, é uma pratica na sua realidade? Se sim, relate os frutos; se não, explique a que impede.

5) Que passos são necessários para ajudar pessoas e famílias a seguirem as orientações sanitárias, ainda que enfrentando dificuldades econômicas e emocionais?

6) Conscientes de que o coronavirus colocou ainda mais às claras situações graves vividas por grande parcela do povo brasileiro, que passos podem ser dados para que pessoas e grupos em situação de maior vulnerabilidade sejam atendidos?

7) Que caminhos devem ser seguidos para pelo menos amenizar os impactos econômicos sabre as popula¢6es mais empobrecidas? O que é necessário para que a ônus da pandemia não seja jogado “nos ombros dos mais pobres e dos trabalhadores”?

8) Que passos precisamos dar para que a saúde, como direito fundamental e inalienável, seja efetivamente garantida a todos em nosso país?

9) O PVB destaca a importância das políticas públicas. A campanha da Fraternidade de 2019 tinha um objetivo geral muito claro: “estimular a participação em políticas públicas, à luz da palavra de Deus e da doutrina social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”. Na sua realidade existem cristãos comprometidos nas instâncias de elaboração das políticas públicas? Como a Igreja pode contribuir pare elaboração e implementação de “políticas públicas de proteção social”?

10) Na medida em que preocupa bastante a corrupção, afetando até mesmo o atendimento de saúde emergencial, que passos podem e devem ser dados para que a ética seja consolidada entre nós?

11) Que perguntas você considera importante e que não foram feitas aqui? A essas perguntas que resposta você daria?

12) O que sua realidade (Regional, Província Eclesiástica, diocese etc.) pode fazer para que o PVB seja mais conhecido, refletido e aplicado? Que sugestões você apresenta para que todas as instâncias possam fazer do PVB um instrumento de diálogo e discernimento sobre o futuro a construir?

Comentário do facebook